segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Filmes favoritos de Comédia Romântica

Não adianta, eu amo filmes com finais felizes. Acho que é porque na vida real já temos problemas demais para enfrentar, ainda mais quando estamos falando em relacionamentos, então o que custa assistir algo que te faça sentir mais de bem com a vida? É por isso que eu escolho aqueles que me fazem suspirar. E não escolho por elenco, que fique bem claro! Amo assistir o Ryan Gosling, mas não me incomodo se tiver um ator com uma aparência "menos photoshop", como diz a Emma Stone em um dos filmes que irei citar no post de hoje. Quanto mais melosos, mais fofos ficam no final e se tiver uma encrenca entre os personagens no começo, melhor ainda! Acho que dá mais química ao filme, e mesmo se a produção não for a melhor de todas, essa química sempre agrada. Então prepare o cobertor, as pipocas e o coração e confira as dicas de hoje:

Dica ♥ 1: Dez coisas que odeio em você

Bom, acho que não tem uma alma que já não tenha assistido ao famoso "10 things I hate about you", um verdadeiro clássico com atores maravilhosos como o Joseph Gordon-Levitt e o Heath Ledger, que à propósito, foi o primeiro bad boy por quem eu me apaixonei na vida. 
O filme tem como enredo a história de Cameron James, um garoto que se apaixona por Bianca Stratford, a típica patricinha popular da escola que é completamente obcecada pelo cara bonitão, interpretado divertidamente por Andrew Keegan. Acontece que Bianca só pode namorar se sua irmã mais velha, Kat, namorar também. O pai, que é viúvo, faz isso porque sabe que Kat dispensa namorados - e também qualquer relação em sua vida, a não ser com sua melhor amiga que é obcecada por Shakespeare, no qual falarei mais adiante. É aí que entra o Patrick Verona, aquele cara misterioso, que todo mundo tem opinião formada sobre o caráter do rapaz, mas que ele na verdade se aproveita para continuar com a fama de cara perigoso (que toda a menina já conheceu alguma vez na vida, diga-se de passagem). Ele tem o papel de ajudar Cameron a sair com Bianca, tentando fazer com que Kat se envolva com ele. As coisas mais engraçadas desse filme estão nos estereótipos, da garota patricinha que quer chamar atenção mas acaba se envolvendo com o nerd (que faz de tudo para ficar perto dela), a garota que já levou um fora e esnoba todo e qualquer ser da face da terra, mas que acaba se apaixonando pelo sujeito mais inesperado da história e claro, o cara introspectivo que acaba amando a garota chata que ele não suporta. O que faz esse filme ser bom é a química existente entre o Heath e a Julia Stiles, que faz o papel da Kat. Amo demais as referências à Shakespeare, já que esse filme foi baseado em uma das histórias do escritor inglês, chamado de The Taming of the Shrew e o modo no qual os dois acabam se apaixonando. Mesmo que ela seja uma garota insuportável, o Patrick não desiste e acaba se apaixonando e até cantando para ela (uma das minhas cenas favoritas, tirando a parte da dança na mesa #spoiler). Enfim, para ilustrar este tópico, fica a cantoria do Patrick Verona para vocês!


Dica ♥ 2: Amizade Colorida

Uma palavra só para este filme: sensacional! Adoro assistir o Justin Timberlake atuando, e ele ficou muito bem ao lado da Mila Kunis. Acho que é um dos filmes mais divertidos que eu já assisti, pelo fato da ironia toda que é tentar dar uma de casual e não conseguir fugir do amor, no final das contas. Conta a história de uma "caça talentos" de nome Jamie, que é toda descolada e bem resolvida, mas que acredita em amor de conto de fadas. Ela acha o Dylan, para ser o novo diretor de arte da CQ Magazine, e os dois acabam rapidamente se tornando amigos. O problema é que nenhum dos dois é muito bom com relações, já que a Jamie afasta os caras e o Dylan não é lá muito atencioso (ou é só um problema de dedo podre, porque os dois são muito legais). É aí que vem a proposta de fazerem sexo um com o outro, evitando intimidades e qualquer envolvimento maior. Como era de se esperar, o tiro sai pela culatra e os dois acabam entendendo que realmente querem ficar juntos. Destaque total para o Flash Mob e o "lugar privado" da Jamie em plena Nova Iorque, porque esses dois fatores são muito bem utilizados até o fim da história. Quanto ao romance, o que me faz suspirar é porque os dois se aceitam do jeito que são, entende? Ambos vinham de relacionamentos em que não davam certo com a outra pessoa e no fim, pararam de procurar para olhar para si mesmos. E ah, as cenas de sexo são engraçadíssimas! Fica aqui um vídeo bem legal com as melhores cenas:


Dica ♥ 3: Amor a toda Prova

Quando juntam Emma Stone e o Steve Carell não tem como não se divertir. Eu simplesmente amo a atuação da Emma, porque ela é autêntica mesmo quando está interpretando. O filme conta a história de Cal, que após descobrir que sua esposa Emily o traiu, cai na fossa total. Como se não bastasse estar recém divorciado, Cal é super coxinha e não consegue "andar para frente", e é em uma daquelas bebedeiras estranhas no bar que ele se depara com Jacob (Ryan Gosling está de matar no filme, fica a dica!), um mulherengo que sai com qualquer mulher que quiser. O fato é que a situação de Cal sensibiliza Jake, e ele passa a dar conselhos para o novo amigo, como se fosse um coach de estilo de vida (se isso existir), e o pai de família que foi traído passa a levar mulheres para casa e virar uma versão melhorada de si mesmo, como um bom aprendiz. A coisa toda se embaça quando Jacob acaba se apaixonando por uma menina, que, ironicamente, é filha de Cal. Os dois entram em uma briga fantasticamente hilária, mas no fim tudo se resolve. Destaque especial para o filho que ama a babá, para a famosa fala "você parece que foi photoshopado" da Emma e  método "especial" que o Jake tem para levar as mulheres para a cama. Sério, para dar boas risadas, esse é o filme que eu recomendo. É bem feito, você se apaixona por cada personagem e no fim cada um se resolve consigo mesmo. E claro, assistir Ryan Gosling sem camisa nunca é demais. Fica a cena engraçada para vocês suspirarem um pouco mais:


Dica ♥ 4: Cartas para Julieta

Eu amo demais esse filme, sério. Acho que assisti mais vezes que qualquer outro da lista, porque é romântico, fofo e lindo na medida certa. Eu adoro filmes que se passam em lugares diferentes e que tem pessoas que escrevem como protagonistas. E esse se encaixa lindamente, primeiro porque a fotografia do filme é ótima e os atores foram muito bom escolhidos, com a maravilhosa Amanda Seyfried como personagem principal. Pois bem, o filme começa com uma viagem pré lua de mel, entre Victor e Sophie, para Verona, onde Romeu e Julieta tiveram seu romance na trama shakespeariana. Só que, enquanto Sophie está afim de conhecer todos os pontos turísticos e embalar o amor entre os dois, seu noivo está mais preocupado em conhecer a culinária  e possíveis fornecedores para o restaurante que ele irá abrir. É o típico namoro fora de hora, então não culpo o Victor. Mesmo porque amo o ator que interpreta ele, o Gael García Bernal, que é lindo demais. Enfim, é em uma dessas vezes em que ele a deixa sozinha, que Sophie acaba encontrando uma carta escondida nas pedras de um muro cheio de outras cartas que pedem ajuda à Julieta, para que a situação amorosa em suas vidas seja resolvida. Primeiro que isso é sensacional, porque praticamente cultuam ela como uma Deusa e segundo que esse muro realmente existe!!! Leiam sobre ele aqui, se interessar. Empolgações minhas à parte, Sophie encontra esse grupo de voluntárias que responde todas as cartas e se oferece para responder uma, que conta a história de uma moça que teve um amor de verão, mas fica em dúvida se deve fugir com ele ou não. Quando a senhora que escreveu a carta, Claire, aparece para agradecer a resposta, Sophie não tem saída a não ser ir ver no que vai dar (como uma boa jornalista, é claro) e procurar o amor perdido de Claire. Ela então viaja com a senhora e o seu neto, o maravilhoso Chris Egan, e os dois acabam descobrindo um amor daqueles que começa devagar mas é impossível de deixar para trás. É claro que ela fica dividida, mas no final o seu coração fala mais alto, assim como o objetivo final da viagem é alcançado e Claire tem a oportunidade de resolver o seu passado. Destaque para as paisagens maravilhosas, a carta que a Sophie escreve, os mil Lorenzos encontrados pela Claire, e a meiguice entre ela e o rabugento inglês Charlie que acaba em romance proibido (só que não!). Para assistir debaixo das cobertas, ó:


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Resenha "Álbum de Casamento" - Nora Roberts

"É como afundar em areia movediça. Uma areia movediça bem macia, quentinha e bonita. Não fui feita para isso. (...) É só um instante, ou vários instantes, até que tudo se dissipa, desgasta e acaba"



Uma palavra para este livro: envolvente. Ao pegá-lo de uma estante, você não repara nas amarras que as 288 páginas criam com a sua mente. Para quem gosta de um romance divertido, esta série promete ser um bom passatempo para os amantes de Nora Roberts, que já entra na lista de autora de um Best Seller novamente. 

A narrativa é o que mais encanta, à princípio. Você se vê interessado por cada parte da vida das quatro garotinhas que nos são apresentadas logo no início do livro, que me lembraram demais o filme "Noivas em Guerra". Brincando de casamento desde cedo, as melhores amigas Parker, Emma, Mackensie e Laurel fundaram, já adultas, a Votos, uma empresa que organiza casamentos. A Mack é a protagonista deste primeiro volume, e já começa se apaixonando logo de cara por fotografias. Quer dizer, não tanto "logo de cara", porque ela ganhou a máquina como um presente do pai ausente, e só começa a se interessar depois de tirar uma foto que condiz muito sobre quem ela é e sobre sua vida: apesar de não entender o que é felicidade em casais, ela consegue, através das lentes, eternizar aqueles segundos em que tudo parece estar bem. Para entender melhor, explico: o pai da Mack deixou ela e a mãe dela e desde então viaja o mundo, sem nunca dar notícias. A mãe, Linda, é uma daquelas mulheres que se agarra a qualquer possível amor (com interesses, é óbvio) e consegue manipular a filha sempre, fazendo-a se sentir culpada. Querendo fugir disso, Mack se joga no trabalho e captura aqueles momentos que parecem nunca acontecer em sua vida. 
Em poucas páginas - ou muitas, você lê esse livro em uma tarde só de tão bom que é -, você vê o jeito descontraído e independente de Mack se desenrolar, até que ela se depara com o Carter, um personagem desastrado, intelectual e acima de tudo, ingênuo. Essas foram as minhas impressões, mas na realidade o Carter é o tipo de cara que está escondido por aí, esperando ser encontrado por uma menina que o mereça, sabe? Daqueles que são muitas vezes rejeitados por serem "nerds", mas que na verdade são os que mais vão te tratar bem? Pois é, a Nora colocou todos estes atributos no Carter e jogou ele propositalmente na vida da Mackensie para nos fazer mais felizes rsrs. É impossível mesmo não se encantar com ele, então fica um ponto positivo a mais nesta narrativa para você querer ler. Enfim, depois de um encontro tipicamente atrapalhado, os dois ficam de olho um no outro, e, aos poucos, vão se abrindo.
O fato é que o Carter já estava de olho na Mack desde os tempos da escola, então vocês já sabem o que esperar por parte dele. Mas, como epílogo deste post, tenho uma das frases icônicas de Mackensie Elliot para ilustrar o que ela faz com o amor: foge. Pois é, sendo porque ela vê o relacionamento dos pais e traumatiza, ou apenas porque ela criou um muro de defesa, a Mack não é do tipo que se deixa arrebatar. E só no fim, no fim mesmo, é que ela consegue enxergar o que ela estaria perdendo se não desse uma chance ao nosso professor de literatura maravilhoso. As sacadas geniais deste livro estão nas frases irônicas, no romance entre os dois (já que eles não têm muito a ver um com o outro) e como vemos a Mack baixar a guarda lentamente. É legal, e para quem tem um pouco de problema com relacionamentos, a fotógrafa expressa muito bem no livro. Por falar nisso, a Nora foi atrás mesmo do processo todo que é fotografar, porque ela explica muito bem, dando até gírias que só o pessoal que fotografa conhece. 
O único ponto que realmente me irritou no livro é o final. Mas não vou contar, obviamente. Acontece que me chateou um pouco ser tudo "tão rápido", uma vez que o processo da Mack é gradual o livro inteiro. Não entendi até agora se ela tomou um impulso, ou se ela simplesmente acordou pra vida, mas isso com certeza vou entender nos próximos volumes, já que a Nora  costuma contar sutilmente como anda a vida dos outros personagens. Indico muito esse livro porque é sensacional o modo no qual você se apega rapidamente à história. Os personagens são bem construídos, a trama é meticulosamente divertida e você se apaixona pelo jeito que a Mack e o Carter ficam juntos. E claro, fica a atenção especial para o livro muito bem feito pela editora Arqueiro. 

A lição é "se joga na vida e enfrente seus medos para ser feliz", se você é do tipo que precisa de uma moral para querer ler. Super recomendado!

Ficha técnica:

Edição: 1
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580412215
Ano: 2013
Páginas: 288
Tradutor: Janaína Senna

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Livros da Semana: Romances de Cabeceira

Pensei em fazer uma lista dos livros de romance que li e que super recomendo, porque acreditem, eu sou uma leitora assídua e 100% assumida dos autores que mais escrevem livros considerados clichês ou “água com açúcar”. Não ligo pro rótulo, porque querendo ou não, quando alguém procura um filme de romance, sempre acaba escolhendo o famoso e imortal “Diário de uma Paixão”, considerado um dos melhores do gênero e, adivinhem? Foi o Nicholas Sparks que escreveu! Então tenho uma dica: se você é que nem eu, que precisa de livros de romance para dar aquele gás, ativar aquela esperança de que o amor realmente existe e no fim, se inspirar naquelas histórias, essa lista com certeza servirá!

A primeira dica está nessa posição porque além ser um livro escrito por grande escritor brasileiro, é uma estória que sempre me lembrou do filme “A Bela Adormecida”, da Disney. Para a surpresa de alguns, não direi “Dom Casmurro”, porque em minha opinião, o livro não fala exatamente de uma história de amor, mas sim de outras coisitas... Enfim, a primeira indicação é com certeza e sem dúvida nenhuma o livro “A Moreninha”, do Joaquim Manuel de Macedo, que consagrou esse livro como o primeiro romance da nossa literatura. Não é uma questão patriótica, mas é que é uma dessas histórias que relatam verdadeiramente os costumes da época, então fica gostoso de acompanhar o desenrolar da história com todos os valores que eram comuns durante o Segundo Reinado, época em que a história se passa. Você com certeza se apaixonará pela inocência de Carolina e de Augusto, que rapidamente caem em um amor intenso e apaixonante à primeira vista, mas que estão presos à um juramento de amor feito no passado. O final da história é muito, muito e muito fofo! Eu diria que, como um dos primeiros romances tipicamente brasileiros, é bem característico como se fosse um começo mesmo, sabe? Tem toda aquela inocência, graça e namoro de primário que nos dias atuais achamos até graça, mas que naquela época era totalmente normal. Para quem gosta de história e literatura juntas, mais um motivo pra tirar A Moreninha da estante do sebo, hein? Fora que, como uma boa amante de romance, esse é um dos mais fofos que existem! Descobri que tem uma novela que aborda a história, vou dar uma checada e depois conto para vocês o que eu achei! 
Uma das edições do livro "A Moreninha"

Se no topo está um brasileiro, não tem como fugir da segunda posição o favorito dos livros de amor/drama/quero ser a protagonista, o maravilhoso e sensacional Nicholas Sparks. Eu confesso que teve uma época que eu era viciada nos livros dele: tinha lançamento e eu comprava. Não consegui ir vê-lo quando ele veio para São Paulo, porque tinha que apresentar um seminário na faculdade, mas podem ter certeza que sou uma das fãs número 1 dele que consomem aqueles livros como se fosse uma dose a mais de oxigênio. Tirando o drama, não vou indicar os já conhecidos e famosos Best Sellers dele, mas dois que gostei muito da história porque não acabaram como os livros dele costumam acabar (sim, para quem lê muito NS, percebe que ele tem um padrão) e ensinam coisas muito valiosas mesmo no final. O primeiro é “Querido John”, e sério, tem outros dele que são lindos e que a gente precisa de um lenço do lado, mas esse está com certeza de parabéns! Tudo começa, é claro, com aquela paixão que vem “do nada” (e eu curto muuuito histórias assim) e parece que destrói mesmo os dois, no sentido bom da palavra. A Savannah e o John são perfeitos e parece que tanto ela como ele se fazem bem simultaneamente, apesar de todas as qualidades que os dois já possuem. Fora que a Sav (sim, sou íntima) é um exemplo, porque ela lida com uma galera especial com dom mesmo, ela é o tipo de garota que quer fazer o bem para o próximo e cara, isso tá faltando no mundo. E o John, apesar de não aceitar muito pai, é um cara humilde que também tem a mesma vibe que a Savannah. Ao que me parece, esse é um dos livros que fala muito mais sobre "aceitar quem a gente é" do que sobre amor. É como se os dois tivessem deixado algo especial na vida deles, como se fosse um impulso para que os dois dessem o melhor de si. E me processem, mas eu prefiro o final em que não tem amorzinho óbvio! (Não vou contar por motivos de spoiler, mas para quem leu, acho que super combina com tudo o que falei: não é questão de amor, mas aceitar quem eles são e ter aprendido muito um com o outro). Enfim, acho histórias assim bonitas. Amor não é só "vamos ficar juntos" e ok. Amor também é aprendizado, minha gente! 
Gif do filme "Querido John" porque é muito amorzinho <3


Nessa mesma linha, está o outro livro dele que super indico como terceira posição: "O Casamento", que é como se fosse uma continuação de "Diário de Uma Paixão" só que não, porque o protagonista não tem nada de Noah. Ele é o genro dele, e na verdade se torna um "coxinha padrão", daqueles engravatados que criam uma rotina no casamento quase impossível de não querer desesperadamente se divorciar. Mas é com o sogro que ele aprende a reconquistar a esposa, aprendendo muito mais sobre si do que ele realmente esperava. É aqueles tapas na cara que a vida te dá quando você está prestes a perder alguém, sabe? Esse livro fala sobre isso, e claro, o desfecho é muito legal mesmo e como é de costume em NS, você suspira muito com o final. Se você procura um romance com conteúdo, esse tem bastante e eu adoro o fato de que de uns tempos para cá, o Nicholas Sparks tem investido em moldes de livros menos água com açúcar. 
Trecho do livro "O Casamento" pra vocês se apaixonarem também

Mas para quem não suporta esse tipo de leitura, está aqui a mulher da vez, e que eu com certeza vou conseguir ler todos os livros já publicados porque ela tem muito o que ensinar! Nora Roberts, que não é boba nem nada, já tem mais de 200 títulos publicados, e não tem um livro que você não queira desesperadamente arrancar o personagem pra chamar de seu. É aquela velha receita de criar um cara perfeito, lindo e maravilhoso, colocar ele em uma situação de conflito com uma personagem peculiar linda e maravilhosa e pronto: sexo e romance na medida certa. Eu gosto da maioria dos livros da Nora, porque diferentemente do Nicholas (que vem do Sul e tem uma pegada mais puritana), ela escreve sobre sexo e são cenas não vulgares de tirar o fôlego. Acho que isso é legal em qualquer livro de romance porque você começa a entender a dinâmica do casal bem melhor depois dessas cenas. É por isso que na quarta posição está "Fruto do Pecado", um livro que não é um Best Seller mas que arranca muito suspiro com as descrições da Nora! Li recentemente e aprovo, principalmente porque a protagonista tem aquele #girlpower maravilhoso, é independente e do nada se depara com um vizinho-inimigo que ela deveria odiar, mas a tensão sexual entre os dois não mente! Sério, é pra ler e ficar apaixonada com a brincadeira de gato e rato dos dois que só faz a vontade que eles tem um pelo outro aumentar. Se você curte um cara daqueles que te enlaça e te chama de minha, o Aaron com certeza vai te deixar maluca! A Jillian e ele tem uma rixa antiga de família, no estilo Romeu e Julieta, mas a química entre os dois mostra que nem tudo tem que ficar do jeito que sempre foi. Enfim, pra você que curte um romance intenso, esse livro tem que estar na sua cabeceira!

Não julgaremos o livro pela capa nunca mais com essa edição de "Fruto do Pecado"!
Outro da Nora que merece a menção é da nova série dela, o "Quarteto de Noivas", que com certeza merece resenha aqui posteriormente! Uma comédia romântica perfeita, uma história que mescla amizade com amor e que qualquer garota vai se identificar porque as quatro personagens são os clichês que infelizmente somos nos relacionamentos! Eu li "Álbum de casamento" e amei a narrativa! Ao contrário dos outros livros, por ser uma série, essa história está bem explicada e você realmente se apega pelos personagens. A Mackensie é uma fotógrafa daquelas que vivia nas sombras das amigas na infância e que tem um relacionamento complicado com os pais, mas que tem um gênio bem forte. Ela marca presença, entendem? Adoro o jeito no qual ela faz o trabalho dela, ama o que faz, mas não acredita nenhum pouco no amor, por conta do relacionamento com a própria família e tal. Acho que me identifiquei demais com ela pelo fato dela querer fugir de alguma forma quando "o amor bate na porta", porque ela sabe que isso não vai acabar bem. Mas no final das contas, quando é pra ser, não tem jeito. Ela acaba se rendendo e você também, porque o Carter é o cara que você gostaria de apresentar pra sua mãe também! Adorei cada parte desse livro, me diverti muito lendo porque a Nora tem umas sacadas geniais, e não sei se é só porque a Mac é assim, mas com certeza vou querer ler os outros. A única coisa que me decepcionou um pouco foi o final, porque achei meio "rápido". Mas vou fazer resenha e aí conto mais para vocês! <3
Editora Arqueiro, sempre com as melhores capas. Essa é de "Álbum de Casamento"

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Porque primeiros amores deveriam ser os últimos

Não é o que dizem por aí? Quem ri por último, ri melhor? Pois é, eu fico com essa sensação esquisita de nunca vou te esquecer, por mais que eu me entregue para tantos outros sabores que existem por aí. Não que seu amor seja o melhor, o inesquecível e nem nada do gênero. Você não tem nada de especial, basicamente. Mas é que eu nunca voltei a me sentir como me sentia quando estava ao seu lado. E às vezes me pego pensando que é só porque a gente teve algo cedo demais, mas isso também não faz muito sentido. Gostaria de poder olhar pra você e conversar horas sobre o nosso problema de esquecimento. Porque sua força magnífica de ser o meu primeiro amor aparece sem aviso prévio, e meu corpo fica todo remexido por sensações que não consigo conter. E depois, sem entender ao certo como isso tudo aconteceu, você some porque eu preciso te esquecer. Talvez seja esse o nosso problema, e como disse em uma de nossas conversas madrugais, a nossa falha é nunca ter saído do quase. Ficamos apenas com água na boca, na beirada de algo muito bom que nunca aconteceu. Eu nunca emergi em você, a não ser quando me apaixonei pelo garoto-homem que sabia o que queria comigo. Foi isso que me impressionou e acho que nunca voltei a ver novamente alguém que tivesse tanta certeza que eu era o centro de um mundo que era dividido por nós dois. Se, ou quando, nós tivermos coragem o suficiente para encarar isso, voltaria àquele dia em que nos conhecemos só para lembrar de certas coisas que nunca esqueci. Você cantando para mim no dia que eu iria voltar pra cidade, prometendo baixinho que voltaria para me "roubar", nós dois entalhando nossas iniciais em uma árvore no meio do nada e até a vez que nós terminamos e você me disse que eu precisava sair desesperadamente do "meu mundinho". Pois é, eu sai do meu limitado mundo de sobrevivência e me magoei diversas vezes, porque em todas elas, queria alguém que me fizesse sentir que nem quando eu estava com você. Eu me pressionava, escolhia a dedo e em todas às vezes, eles não encaixavam no cara doce e engraçado que sabia me fazer feliz com pouca coisa. Você se apaixonou por algo concreto, porque ali naquela noite, eu não era ninguém, a não ser uma criança que nunca tinha pensado em ser beijada antes. E você apareceu sem que eu esperasse, me mostrou o mundo e depois nós nunca mais demos certo. Agora fico me perguntando quando é que vou ter a coragem de mergulhar em tudo o que sentimos, sem ter ar para voltar para cima, apenas me afundando e me afundando cada vez mais dentro de você? Porque gostaria de ter um pouco mais de nós dentro desse particular tão limitado que vivo tentando expandir, era só ter você, seu sorriso e o mundo todo que prometemos e nunca tivemos. Quem sabe assim, da última vez de um encontro espontâneo, a gente não sorria por último pelo resto de nossos dias?

É algo a se pensar.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Resenha "A Culpa é das Estrelas" - John Green


“Tentei me convencer de que poderia ser pior, que o mundo não era uma fábrica de realização de desejos, que eu estava vivendo com câncer e não morrendo por causa dele, que eu não deveria deixar que ele me matasse antes da hora…"

O best seller "A Culpa é das Estrelas" tem a total permissão para estar na lista dos mais vendidos e agradar todo mundo que lê a história da adolescente Hazel Grace e seu convívio - nada fácil - com o câncer.
Para começar, Hazel é uma daquelas personagens que você simpatiza logo de primeira, porque ela não está tentando lutar contra a doença e nem se manter otimista, mas tem aquele humor picante de quem espera a morte como se fosse algo natural na vida das pessoas. No livro de 288 páginas, ela é uma paciente terminal que precisa viver diariamente com um tanque de oxigênio que ela leva em um carrinho, para respirar através de uma cânula nasal, por conta de um câncer na tireoide que resultou em metástases em seu pulmão. Para não dizer que seu estado é terrivelmente sofrível, ela consegue - com a ajuda de uma médica que, apesar de aparecer poucas vezes, faz com que você imagine uma pediatra sorridente que cuida apenas de bebês, de tão fofa e atenciosa que ela é - retardar o processo dos tumores pulmonares por meio de um remédio forte e experimental que milagrosamente dá certo com ela.
Também somos apresentados a sua mãe superprotetora e seu pai sensível, que a amam incondicionalmente e vivem por ela. A sra. Lancaster é sua verdadeira enfermeira, e é possível sentir a angústia da Hazel quando ela reclama que seus pais não vivem a vida deles para cuidar dela. A relação com o pai é bem parecida, exceto que ele chora em quase todas às vezes que Hazel tem algum problema e precisa ir para o hospital ou que ela se rebela contra a doença. Mas mesmo assim, você os ama logo de cara.
Além dos pais, somos apresentados ao Grupo de Apoio, bem típico nesse tipo de história. É claro que por Hazel ter contraído o câncer com apenas 13 anos e ter sobrevivido três anos mais, seus pais iriam querer que ela não ficasse depressiva e tivesse pelo menos um protótipo de vida normal. Já que ela largou a escola para frequentar a Faculdade Comunitária de Indiana, a MCC, Hazel passa a maior parte de seu tempo assistindo America's Next Top Model ou lendo o seu livro favorito Uma Aflição Imperial, sua mãe incentiva ela a frequentar o Grupo de Apoio e fazer amigos. Mas é claro que logo de início vemos que Hazel está confortável com a ideia de sua própria morte e não quer ser que nem o líder do grupo Patrick, que sempre parece irritantemente otimista. É também nessa roda de apoio de crianças com câncer que Hazel conhece o atraente Augustus Walters, amigo de Isaac, que tem câncer nos olhos.
O encontro com Augustus marca praticamente uma nova fase na vida de Hazel. Ele fica fascinado por ela, e apesar da garota achar que é como se fosse uma "granada" - prestes a explodir e acabar com todos a sua volta - a amizade entre os dois evolui gradativamente. Entre muitos momentos sinceros entre Gus e ela, os dois acabam viajando para Amsterdã para encontrar o autor favorito de Hazel - aquele do livro Uma Aflição Imperial - e acabam passando por algo completamente diferente do esperado. É depois dessa viagem que ela descobre que Augustus, que estava SEC (sigla para sem evidência de câncer) há mais de um ano após ter contraído osteossarcoma, juntou-se a ela no "estado terminal" por causa do câncer. Apesar de ser um garoto carismático e extremamente adorável, Augustus tem um medo constante de cair no esquecimento, assim como Hazel tem medo de magoar todo mundo se envolver-se demais. Os dois descobrem certas brechas que o Universo dá aqueles que precisam sentir que a vida vale a pena. Não é só o amor verdadeiro e nem o entendimento mútuo que os une, mas a possibilidade de aprender um com o outro e crescerem enquanto estão juntos. John Green soube lidar interessantemente com a questão de uma doença terminal, pois apesar da história em si ser muito tocante, os personagens lidam com isso de maneira cômica o tempo todo. Nós podemos conhecer os medos da Hazel e as aflições do Gus, que combinam muito e se completam. É um livro muito bonito e que no fim das contas, ensina sobre o infinito e sobre o "viver agora". 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Resenha "A Sangue Frio” – Truman Capote

"Mas quando a multidão viu os assassinos, com sua escolta de policiais rodoviários de casaco azul, ficou em silêncio, como se espantada de constatar que os dois tinham forma humana.”

“A Sangue Frio” é considerado um romance não ficcional pelo seu autor, o jornalista Truman Capote.  “Não ficcional” por ser um livro baseado em fatos reais, ou seja, o assassinato que ocorreu em 1959 na cidade Holcomb, no Kansas e que matou quatro membros de uma família muito popular e adorada pelos habitantes da pacata cidade.
O romance busca se aprofundar no assassinato e na perseguição que se deu aos assassinos após o Xerife de Holcomb e os detetives de outras cidades dos EUA entrarem no caso. Truman Capote decidiu cobrir o caso na época, e teve acesso a diversas fontes e materiais cruciais para a criação de seu livro, porém quem lê com atenção a primeira grande obra do “New Journalism”, percebe que algumas coisas parecem fantasiosas demais, como se o narrador fosse onipresente e estivesse em todas as cenas por trás do assassinato dos Clutter.
Mesmo assim, as inúmeras aspas que preenchem o livro, dão ao leitor a sensação de que se trata mesmo de um relato jornalístico, pois Truman conversou com muitas pessoas – envolvidas ou não – no crime em questão. Isso pode se tornar meio cansativo, ainda mais quando as vítimas já são consideradas mortas desde o início do livro, quando o autor dá pistas muito claras das causas e do fim de algumas personagens. Para quem procura um romance policial tradicional que prenda a atenção, terá que se contentar com essas pequenas “confissões” que entregam de cara quem morre.
O ponto alto do livro é a profundidade em que Capote passa ao apresentar os dois assassinos, que têm um ponto de vista próprio ao longo do livro e assim, o leitor pode acompanhar a vida dos Clutter e o planejamento e a rotina dos dois assassinos. Truman também consegue passar muito mais intensidade na personalidade de Perry Smith e Dick Hickcock, os criminosos da história, por ter passado muito tempo coletando dados e informações de ambos, do que os habitantes de Holcomb, o que faz o leitor se aproximar do passado de cada um e se possivelmente sentir compaixão com a história dos infelizes criminosos.
Os moradores de Holcomb são constantemente postos em cena, para exemplificar o sentimento que toda a cidade passa em relação ao assassinato, como a mulher do xerife, que antes queria morar no interior assim como os Clutter, e após o assassinato prefere ficar onde mora. Os habitantes são importantes partes para que a história se faça presente, pois é a partir dos diálogos relatados por alguns dos mais próximos da família Clutter, que os quatro falecidos podem ser representados como eram.
O livro, que não usa uma narrativa necessariamente linear, busca explicar o porquê dos criminosos terem invadido a casa dos Clutter e, após não encontrarem o suposto cofre que os deixaria ricos, matarem os quatro integrantes e fugirem de todos sem demonstrarem remorso algum após isso. O leitor tem a oportunidade de entrar na mente de dois psicopatas e tentar entender o que de fato se passou na cabeça de ambos para um assassinato literamente “a sangue frio”.
Parte das investigações acerca do gênero “não ficcional” do autor, que passou cerca de um ano em Holcomb para cobrir toda a história, é justamente porque Truman Capote não utilizava nada para recordar suas entrevistas, a não ser sua própria memória. Com sua própria técnica, ele consegue descrever de cabeça todos os seus diálogos e informações obtidas com as fontes que dão voz ao livro. O leitor é capaz, portanto, de tirar várias perguntas do livro, como por exemplo, o porquê do foco ser os assassinos e não a família assassinada. Se buscar entender o ponto de vista do ilustre autor, pode encontrar um passado problemático com a própria família, e assim tentar compreender o motivo pelo qual Truman se “afeiçoou” tanto com os dois assassinos e principalmente com Perry Smith, que ganha um espaço visivelmente maior de relatos no livro do que os outros personagens.

Para mentes curiosas, há um filme que deu um Oscar ao ator Philip Seymour Hoffman e foi lançado em 2005, com o título de “Capote”, onde o foco principal é a criação do livro jornalístico e pode dar uma visão mais ampla ao leitor das artimanhas que o autor usou para escrever.

FICHA TÉCNICA: (edição mais nova)
Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2003
Páginas: 440
Tradutor: Sergio Flaksman

Resenha "Uma Curva da Estrada" - Nicholas Sparks

“Uma coisa ela havia aprendido: a vida raramente segue nossos planos.” 


Para uma leitora assídua de Nicholas Sparks, o livro "Uma Curva da Estrada" surpreende. É claro que há muitos pontos padrões ao longo do livro, que são mostrados logo de início, mas o seu desfecho é uma surpresa para quem está acostumado com os finais felizes e quase clichês de Sparks.
O livro conta a história de vida do subxerife de New Bern (Carolina do Norte, EUA), Myles Ryan e seu filho Jonah, de apenas sete anos de idade, que perdem simultaneamente Missy, a esposa e mãe dedicada. Até então, a morte é um mistério. O que se sabe é que Missy foi correr de noite e foi atropelada por alguém que se sentiu culpado demais para cobri-la com um manto branco e fugir sem prestar queixa. Isso é suficiente para que Myles veja sua vida completamente destruída e sem sentido, começando a fumar e a viver de modo automático, preocupando seus amigos mais íntimos. É doloroso ver seu sofrimento e acompanhar a sua culpa diária; além de perder a esposa que fora sua primeira namorada nos tempos de colégio, ele não conseguiu solucionar o caso e nem muito menos a polícia. O suspeito é uma icógnita pesarosa tanto para o leitor, quanto para o próprio personagem principal.
O ponto alto do livro começa quando Sarah Andrews é apresentada, a professora de Jonah, que se mudou de Baltimore para New Bern para recomeçar sua vida. O personagem dela relembra algumas outras personagens Sparkianas, como Katie, de "Um Porto Seguro", que também muda de cidade à procura de recomeço. Porém, diferentemente de Katie, Sarah não tem um passado trágico, e só é contado o motivo de sua mudança no meio do livro, quando o autor se aprofunda mais em sua vida. Como de costume, o padrão de um personagem órfão e/ou com um familiar só fica no papel de Myles, que tem um pai ausente, enquanto Sarah é membro de uma família calorosa e grande, e sua mãe aparece muitas vezes ao longo do livro, dando-lhe conselhos e sendo o seu oposto, como acontece muito nos livros do Nicholas Sparks. 
Sarah é um importante meio de aproximação e elo entre Jonah e Myles, quando repara nas dificuldades de aprendizagem que o filho do subxerife apresenta na escola e que foram negligenciadas pelos outros professores. Ela chama então Myles para uma conversa e propõe aulas particulares de reforço para o menino, e aí é onde a pequena chama se acende entre os dois. De início, o subxerife não admite para si mesmo que pode estar pensando em Sarah, pois está sozinho há muito tempo e não se sente muito confortável com a ideia, mas é levado ao clima de romance inevitável entre os dois. Essa parte é uma das minhas preferidas, pois o começo de qualquer relacionamento é envolvente em qualquer situação. E nesse caso em específico, é engraçado e apaixonante ver Myles tentando se aproximar de Sarah e convidá-la para sair de modo tímido, quase como se ele fosse um adolescente. Sarah se mostra um personagem muito divertido e inteligente, então sentir empatia por ela não é muito difícil. O romance dos dois se desenrola ao mesmo tempo em que novas pistas vão surgindo sobre o caso de Missy. Surpreende muito a forma em que Nicholas Sparks se arriscou em um romance quase policial, e digo quase porque não teve aprofundamento e mistério o suficiente, mas para uma primeira vez prendeu a minha atenção muito bem. Aparecem cartas misteriosas do assassino, logo de início, mostrando o quanto ele se arrependeu e se sente confuso com a história toda. Os pontos de vista que podemos ter passam de "este cara é um lunático" a "é uma criança sozinha e confusa", mas se o leitor prestar bastante atenção mata a charada antes mesmo de Myles descobrir. O subxerife passa pelos dramas do livro, fica desatento em relação à Jonah e negligencia a nova namorada Sarah, e é nessa parte que você não consegue parar de ler. Primeiro porque a relação entre Jonah e Myles é muito próxima e segundo porque a evolução do namoro com Sarah se tornou cada vez mais sólida à medida que Myles deixou que ela cuidasse de suas feridas e vice-versa. 
O assassino aparece se denunciando nas cartas anônimas que preenchem o livro. Até então, ninguém suspeitava, mas quando é revelado o seu segredo muitas coisas são postas em jogo. Fiquei me vendo na situação de todos os personagens nesta hora e o que faria se fosse cada um deles. Acho que essa é a graça ao ler Nicholas Sparks e sentir o suspense em que ele termina cada capítulo. O assassino por fim, é quase como o personagem chave para que tudo se resolva na vida de Myles. Ele pode, ou não, deixar de lado os dois anos de investigações sobre a morte de Missy, como também "vingar-se" como subxerife. Aqui fica também ao encargo do leitor sua visão sobre a decisão final de Myles, que surpreende mesmo. Fiquei pensando que foi heróico, mas ao mesmo tempo muito arriscado estar na pele do culpado na hora H. 

No fim, a mensagem que o livro aborda é exatamente as imperfeições existentes no homem e como o amor modifica isso nas pessoas. Os erros que cometemos muitas vezes são perdoados se a outra pessoa nos enxerga como seres capazes de cometer burrices o tempo todo e talvez seja por isso que o livro me surpreendeu tanto. Foi sobre amor, mas isso foi um tema secundário ao longo da história. Em "Uma Curva da Estrada" somos apresentados aos pesadelos diários de um homem apaixonado que perdeu sua mulher. Na cidadezinha estilo interior de New Bern, podemos ver que o caminho fácil era simplesmente se deixar engolir pela rotina automática, mas que a presença de um novo amor mudou-o porquê ele mesmo permitiu isso. Há pessoas que passam em nossas vidas com um papel intenso de modificar nosso próprio jeito de ser, e Nicholas Sparks conseguiu exemplificar muito bem essa verdade em seu livro.

FICHA TÉCNICA:
Edição: 1
Editora: Arqueiro
Ano: 2013
Páginas: 304
Tradutor: Fernanda Abreu